Comunicação Entre Pais e Filhos: Você Escuta (de Verdade) O Que Sua Criança Está Dizendo?

A sua capacidade de se comunicar com os seus filhos está bem desenvolvida? Tem certeza de que você entende o que eles querem te dizer? Parece que algo na comunicação entre pais e filhos está sendo deixado de lado.

Uma das habilidades que toda mãe, pai ou educador deve desenvolver é sua capacidade de se comunicar. Pois, na maior parte das vezes em que nos comunicamos com as outras pessoas nos esquecemos de ouvi-las e isso inclui nossas conversas com as crianças. Assim, nossa comunicação entre pais e filhos precisa ser muito clara e neste artigo você vai saber como se comunicar melhor.

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de “escutatória”. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Rubem Alves

Não fomos ensinados a escutar. Entretanto, temos que saber ouvir para realmente entender as pessoas. Geralmente damos pitaco em tudo, sem nem escutar direito. Muito menos ouvir, entender ou nos colocar do lado da criança.

E para conseguirmos ensinar algo para nossas crianças é fundamental que saibamos escutá-los. Pois isso nos ajudará a fazer as devidas correções de rota do aprendizado.

Assim, hoje estou me dedicando ao tema “comunicação entre pais e filhos”. Não adianta tentarmos ‘empurrar goela abaixo’ dos pequenos um método ou conhecimento como por exemplo o Método dos 4 Potinhos sem que tenhamos a sensibilidade de saber ouvir nossas crianças.

Então, vamos à prática:

Aprendendo a ouvir seu filho ou sua filha

comunicação entre pais e filhos
Que tédio!

A maioria das pessoas não consegue escutar com a intenção de compreender. Elas ouvem com a intenção de responder. Elas estão sempre falando ou se preparando para falar. Elas filtram tudo através de seus próprios paradigmas, leem sua autobiografia na vida das outras pessoas. Stephen Covey

Essa é a mais pura realidade. Faça o exercício, tente lembrar a última vez que alguém lhe contou algo. Aposto que uma das duas coisas aconteceu:

  • Ou você a julgou, sem dizer nada, apenas pensando: “nossa eu não faria isso”, “caramba ela fez errado ao agir assim”, …;
  • ou pior, você nem deixou a pessoa terminar de falar e já foi logo ‘despejando’ suas opiniões.

Tá, mas como fazer para mudar esse situação e nos tornar um bom ouvinte? Dominar a habilidade de ouvir pode melhorar o relacionamento das famílias. E quanto mais aprendermos a ouvir, mais assertivos nós seremos na tarefa de educar nossas crianças.

O que precisamos desenvolver é a nossa escuta empática. Estou utilizando como base o livro Os sete hábitos das famílias altamente eficazes, de Stephen Covey. Existem algumas variações, mas a essência é a mesma.

O que é escuta empática?

A escuta empática é quando você compreende, enxerga o que a outra pessoa vê, do modo como ELA sente, como ELA compreende. Não é concordar com tudo que ela diz, mas compreender. Devemos escutar as pessoas com os olhos e com o coração.

Comece a buscar situações rotineiras, repare como as pessoas te escutam e como você as escuta e traga isso para a comunicação entre pais e filhos. Se for difícil reparar em você mesmo no início, preste atenção nos outros pais e mães e depois passe a prestar atenção em você.

Por exemplo, da próxima vez que seu filho ou sua filha vier lhe contar algo repare se você consegue realmente ouvir de maneira empática o que ela está contando. Geralmente enquanto as crianças (e adultos também!) estão nos contando algo a gente escuta e, mentalmente, já estamos nos preparando para responder.

A escuta empática requer que façamos questionamentos para entender como a criança vê/sente/compreende e não fazer apontamentos de como ela deveria agir/sentir/pensar.

Os níveis de comunicação entre pais e filhos

comunicação entre pais e filhos
Eu só queria contar pra ela que hoje fiz um cupcake de caneca sozinha

As escuta empática é o nível TOP da comunicação eficaz. Mas nem sempre é nesse nível que as conversas ocorrem.

Quando duas pessoas conversam pode estar acontecendo uma das situações abaixo. Em nosso caso refletiremos o diálogo entre um adulto e uma criança. Então, enquanto a criança fala o adulto:

  1. Está ignorando. Vai me dizer que nunca aconteceu com você?!?! Às vezes percebemos que na verdade não escutamos nenhuma palavra que nossa criança nos disse. 
  2. Está escutando de forma seletiva. Ou seja, o adulto está prestando atenção apenas em parte do que é dito.
  3. Ou, está escutando de maneira concentrada. O adulto está realmente prestando atenção em tudo que é dito, mas não no último nível.
  4. Por fim, é quando está ocorrendo a escuta empática. Como dito anteriormente, é quando o adulto enxerga o que a criança vê. O adulto compreende o modo como a criança está sentindo o problema.

Quando não realizamos a escuta empática é comum que tenhamos alguns modos automáticos de respostas  mesmo que não seja verbalizado. Às vezes são pensamentos que temos enquanto as outras pessoas estão falando com a gente.

Isso é mais comum ainda no relacionamento entre pais(mães) e filhos(filhas). Como as demandas das crianças costumam ser coisas que já vivenciamos ou experimentamos temos a ‘falsa sabedoria’ de sermos os donos da situação.

Não fique no modo automático

Imagine a situação hipotética em que uma filha pede ajuda a sua mãe porque está com dificuldades em fazer o controle da sua graninha ou em definir a meta da caixinha de natal. A mãe devido a correria do dia a dia dá uma resposta de maneira rápida sem ir a fundo no problema: “Minha filha eu já te expliquei isso um milhão de vezes. É só fazer do jeito que te ensinei”. E a mãe encerra a conversa.

Tudo bem, eu sei que não temos tempo para todas as demandas de nossos filhos. Mas talvez fosse a hora de a mãe falar que depois irá conversar com a filha para em um outro momento ela realmente ouvir o que a filha tem a dizer.

Às vezes é melhor responder para os baixinhos: “Minha filha, mamãe não está com tempo agora. Depois do almoço a gente conversa com calma”. Mas é importante você cumprir a promessa. Não vale ficar só adiando a conversa.

Tá bom, mas como melhorar a comunicação entre pais e filhos?

comunicação entre pais filhos
Pai, pra montar a árvore de natal você tem que fazer assim, oh!

Em nossos pensamentos, mesmo calados, estamos avaliando, dando conselhos, ou interpretando os fatos com nossos motivos e comportamentos. Ainda segundo Stephen Covey, para desenvolvermos e praticarmos a escuta empática podemos utilizar os quatro estágios a seguir:

  1. Repetição do conteúdo: podemos repetir mentalmente ou mesmo verbalizar com a pessoa. Isso nos conecta ao conteúdo em si. Utilizando o exemplo anterior a mãe deve mentalmente repetir sua filha: “ela disse que não está conseguindo definir a meta da caixinha de natal“.

  2. Reestruturar o conteúdo: agora passamos a nos expressar da nossa maneira, ou seja, da forma como nós estamos entendendo o que está sendo dito. “Ok, ela disse que não está conseguindo definir a meta da caixinha de natal, mas ela ao menos tentou de maneiras diferentes?“.


  3. Refletir o Sentimento: esse momento para mim é o mais importante. Devemos perceber o que a pessoa SENTE em relação ao que está dizendo e fazer isso não é fácil, mas é nesse instante que acontece a conexão com a pessoa. Não é o que você sente em relação ao que está sendo dito e sim o que a outra pessoa sente.

    A mãe deve fazer novas perguntas para a filha até entender o que ela sente, concluindo então: “minha filha realmente está com dificuldade devido às várias possibilidades de compra existentes no mercado“.


  4. Reestruturar o conteúdo + Refletir o sentimento: agora sim juntamos a reestruturação do item 2 com aquilo que a pessoa está sentindo e isso muda completamente aquilo que você está ouvindo.

    É como se agora a mãe conseguisse ouvir em alto e bom som: “Mãe eu consigo preencher a planilha e fazer as contas de quanto eu deveria poupar. O problema que são tantas opções que está ficando difícil decidir.

Agora, após realmente escutar o que a filha estava querendo dizer, ficou mais claro entender que tipo de ajuda ela está precisando.

Quem disse que ser pai ou mãe seria fácil?

Escuta Empática no dia a dia

Ao longo de seu relacionamento com sua criança, procure utilizar a escuta empática o tempo inteiro. Pois assim você aumentará suas chances de conexões e sucesso.

Pratique o tempo todo e observe como você está se comportando. Não fique no “modo automático”. Pratique com outras pessoas, na rua, no trabalho, na escola,… Converse realmente com as pessoas e Caso não possa estar presente, ou seja, realizar a escuta empática, peça para conversar mais tarde com a pessoa.

E, de posse desse conhecimento, observe como as pessoas (isso inclui sua criança!) estão conversando com você. Elas estão te escutando? Caso negativo, provoque-as com perguntas para que elas realmente compreendam o que você quer dizer. Seja claro quanto aos seus sentimentos. 

Aproveite para compartilhar esse conhecimento com outras pessoas que convivem com seus filhos e explique o conceito de escuta empática. Mostre ao seu marido ou sua esposa como deve ser a verdadeira comunicação entre pais e filhos. Faça um pacto de sempre terem uma conversa empática, na qual ambos estarão realmente ouvindo o que o outro tem a dizer.

Isso salva relacionamentos, famílias, amizades e casamentos.

01 grande abraço,

Fabiano Hilário

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