Qual é a tua obra?

Como devemos conversar com nossos filhos quando o assunto é emprego, trabalho, empreendedorismo ou outras formas de ganhar dinheiro?

O aumento da taxa de desemprego, a reforma trabalhista, a reforma previdenciária, a globalização. São vários os assuntos da atualidade que nos deixam uma grande dúvida: Como será o futuro dos nossos filhos?

Ficamos sem saber em como abordar o assunto com nossos filhos. Mas, o certo é que devemos prepará-los para uma sociedade completamente diferente daquela em que fomos educados.

Segundo o Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna, uma nova sociedade já existe e é irreversível. E foram três grandes causas dessa transformação:

  • A revolução da informação;
  • A queda dos índices de natalidade nos países desenvolvidos e emergentes. Ou seja, a diminuição da população jovem nesses países;
  • E, o declínio lento e constante da indústria como fonte de riqueza e empregos.

Estamos no meio dessa transformação e um de nossos papéis, como pais, é dar um direcionador aos nossos filhos de como se portar nessa nova sociedade.

Para nos ajudar nessa missão vou trazer algumas pérolas do professor e filósofo Mário Sérgio Cortella.

Em seu livro “Qual é a tua obra?”, Cortella nos presenteia com algumas experiências, ensinamentos e relatos sobre gestão, liderança e ética.

“Pesquei” algumas delas e agora vou dividir com vocês.

A ideia de trabalho como castigo precisa ser substituída pelo conceito de realizar uma obra.

Se você é um pai ou mãe que ama o seu trabalho. Se você está completamente satisfeito com a forma como ganha a vida. Então, vai ser natural passar para o seu filho que o seu trabalho não é um fardo.

As crianças conseguem ver por entre linhas. Elas percebem de que maneira você se refere ao seu trabalho. Da maneira como você retorna do seu trabalho.

Agora, se você não é apaixonado pelo que faz, não deixe transparecer isso para a criança. Mostre a ela que, pelo menos, você é feliz por aquela atividade ser a responsável por ‘botar comida em casa’.

Cada um tem sua história e os motivos por que chegou até aquele emprego ou trabalho. Converse com ela sobre isso.

Não estou pregando a questão de largar tudo para viver apenas do que ama. O fato que podemos conciliar e ganhar dinheiro com realização. Mesmo que o seu atual trabalho não seja o trabalho dos seus sonhos.

Parar de trabalhar, você não vai parar nunca. Nem pode. Porque você nunca deixará de fazer a sua obra.

Em tempos de reforma da previdência, fica nítido e claro que a idade para a aposentadoria será cada vez maior.

Você educa seu filho para ser um futuro aposentado? Quais são seus exemplos quando eles estão por perto?

Você tem certeza de que seu filho conseguirá se aposentar com uma idade suficiente para aproveitar o restante da vida?

Não dê a ele essa esperança. Ensine para ele que durante ao longo de sua vida deverá se dedicar a realizar uma obra.

E mais, que a independência financeira só depende dele. Desde que aprenda como fazer e seja disciplinado para alcançar a tão sonhada independência. Para isso ensinamos o método dos 4 potinhos aqui no Graninha Kids.

Faça o download de nosso ebook “Como dar mesada para seu filho”.

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E, na verdade, com a conquista da independência financeira ele terá mais liberdade para continuar a realizar sua obra.

Trabalhar cansa, mas não necessariamente precisa gerar estresse.

qual e a tua obra - estresse

Não confunda cansaço com estresse. Você tem cansaço quando uma atividade lhe exige bastante, mas é prazerosa. O estresse se instala quando aquilo que você faz lhe exige bastante, mas você não vê a razão de fazê-lo.

Quando o trabalho é uma obrigação o estresse está ali, à espreita para nos pegar. Agora, quando trabalhamos por prazer o tempo voa, as ideias pulam, o corpo resiste.

Você já experimentou esse estado! Tenho certeza! Puxe na memória. Pode ter sido uma atividade no trabalho ou fora dele. Mas já experimentou.

Ensine ao seu filho que isso é possível.

Poder trabalhar em qualquer lugar hoje significa que se pode trabalhar o tempo todo.

A virtualização do local de trabalho, a possibilidade de trabalhar em qualquer canto, não significa necessariamente que se facilitou a nossa existência.

Podemos rapidamente identificar duas consequências oriundas dessa virtualização do trabalho:

  1. O aumento da necessidade de se encontrar um trabalho em que a pessoa realize uma obra. Caso contrário, aumenta-se a chance desse trabalho (sem realização) ser um gerador de estresse.
  2. Devemos aprender a ficar offline. Desconecte-se para estar junto aos seus filhos. E, ensine-os a ficar desconectados também. Só assim teremos momentos em que realmente estaremos conectados aos sentimentos e pensamentos das nossas crianças.

Sei muito bem, como pai que sou, de como são ótimos aqueles momentos de paz quando nossos pequenos ficam ‘hipnotizados’ diante de um vídeo no celular, no tablet, ou outro meio digital. Mas temos que saber controlar e monitorar isso.

Não, a gente não aprende com os erros. A gente aprende com a correção dos erros.

Essa lição é para nos lembrar de duas coisas:

  1. Devemos incentivar nossos filhos a arriscar, sem medo de errar.
  2. E, caso o erro ocorra, não devemos repreendê-los. O certo é aproveitar o momento para ensinar que o importante é corrigir o problema.

Deixou quebrar alguma coisa, mas o que foi feito depois? Assumiu o erro? Ajudou a consertar?

Um tempo atrás meu filho ‘esqueceu’ de estudar durante um feriadão para a prova que faria na segunda-feira. Quando chegou no domingo à tarde, estávamos na casa da minha mãe e ele queria embora para estudar. Ficou preocupado.

Chamei ele em separado para conversarmos e juntos definirmos um plano de ação. Mostrei para ele que o problema (erro) já havia ocorrido e teríamos que tomar uma ação para:

  1. Estudar para a prova do dia seguinte;
  2. E, evitar que o problema volte a ocorrer novamente.

O objetivo é que ele participasse da solução sem que fosse uma imposição minha. Então ele mesmo sugeriu o seguinte:

  1. Que eu o acordasse na segunda-feira às 7h. Então iria tomar café e partiria para  estudar a matéria (geralmente ele faz as atividades de escola a partir das 9h);
  2. Que juntos iríamos bolar um calendário para deixar no armário dele, bem à vista, para não esquecer mais das provas.

Pronto, depois de definirmos o que seria feito ele voltou a brincar com o primo.

Acredito que essa tenha sido uma situação bastante prática e didática para que ele aprenda a ser proativo.

Aquele ou aquela que aprende a aprender ganha autonomia.

Nós estamos apresentando para vocês uma forma de ensinar seu filho a lidar com o dinheiro: o método dos 4 potinhos.  Não quer dizer que seja a única maneira, mas é uma forma que testamos e funciona. De acordo com a idade do seu filho, incentive-o a buscar outras maneiras de lidar com o dinheiro. Isso lhe dará autonomia.ebook mesada

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Num mundo competitivo, para caminhar para a excelência é preciso fazer o melhor, no lugar de, vez ou outra, contentar-se com o possível.

Atualmente, com meu filho de 8 anos, tenho buscado ensinar a ele que o esforço ou a preparação podem ser mais importante do que o resultado em si. Vejam um exemplo.

As notas de suas últimas avaliações deram uma diminuída em relação ao período anterior. Eu já sabia que ele não tinha estudado bastante e tinha me preparado para uma cobrança.

Porém, em momento algum eu cobrei se a nota foi alta ou baixa.

O que eu questionei foi se a quantidade de estudo havia sido no nível da excelência ou no nível do possível (utilizando as palavras do Cortella). Você estudou muito ou pouco? Você deu o seu melhor? Se preparou um pouco a cada dia ou só estudou no dia anterior a prova? Quais serão as ações para que não volte a ocorrer?

Ele entendeu o recado e já tem se dedicado mais aos estudos.

Síndrome de Rocky Balboa

Em seu livro, Cortella nos faz relembrar do filme Rocky Balboa. O personagem é um lutador de boxe que apanha bastante, depois treina e se prepara para a próxima luta e ganha.  Mas “a preparação dele, no filme, passa em dois minutos…. A sequência passa rapidamente e aí ele já está pronto.” O professor explica que esta é origem do nome da síndrome.

É você imaginar que, como a cena passa rápido, que você rapidamente estará preparado e apto para ir ao ringue derrotar o seu adversário. E não é assim. Há cursos, especializações, atividades que demoram, que exigem trabalho, viagem, perda de uma parte do tempo para lazer e para a família.

Atualmente tem uma enorme quantidade de filmes, séries e desenhos animados que abusam de personagens exatamente com essa característica. Então, temos que estar muito atentos em como nossos filhos encaram ou ‘digerem’ estas informações.

Tantos exemplos de reality shows nos quais os participantes alcançam a fama e a fortuna de maneira quase que instantâneas. E, são exaltados por isso. Até que venha a próxima edição ou um novo programa com um novo ‘sucesso’ instantâneo.

Para tentar um contraponto, busco assistir mais filmes biográficos com meu filho (de acordo com idade). Acredito que são melhores, pois acabam saindo um pouco dessa jornada do herói. Mostrando um pouco mais de realidade do que as “receitas de bolo” dos filmes de ficção. E depois do filme, tem uma boa dose de bate-papo sobre o que vimos.

A coragem não é a ausência do medo. A coragem é o enfrentamento do medo.

Mudar é complicado, sem dúvida, mas acomodar é perecer.

E, para mudar é fundamental a coragem para sair da zona de conforto.

Na vida, no trabalho, ou na hora de lidar com dinheiro pode pintar aquele friozinho na barriga.

Seja relacionado à grana ou não, um de nossos principais papéis como pais é ensinar nossos pequenos a lidar com o medo.

Esse ensinamento do professor Cortella é valioso. Porque é necessário mostrar aos nossos pequeninos que ter medo é natural. Ter medo é uma maneira de proteção ante ao perigo. Mas cabe a nós analisarmos os riscos de maneira sensata e encarar o desafio.

O grande estrago das pequenas ondas

Esse ensinamento foi originalmente proposto pelo autor para mostrar que em uma empresa as pequenas ações podem causar grandes impactos.

Para ilustrar, Cortella dá o exemplo de um orçamento corporativo. Pequenos gastos podem ser os causadores de grandes rombos nos caixas das empresas.

No caso da educação financeira as pequenas ondas nos mostram outra face: que elas podem dar grandes retornos.

É o caso do potinho da Galinha dos Ovos de Ouro. O tempo, a disciplina e o acúmulo de pequenos montantes serão os principais responsáveis pelo crescimento do valor acumulado nesse potinho.

Você é uma pessoa inteira. Quando você vai para casa, está levando tudo com você e quando vai para o trabalho, leva as coisas de casa.

Você vive uma vida com várias dimensões concomitantes. Não dá para você fazer uma gaveta e dizer “agora eu vou ser pai”. O que você precisa é saber administrar o seu tempo.

E, assim, estar realmente presente, de corpo e alma em cada momento de sua vida.

Você viu o artigo Como encontrar o equilíbrio entre trabalho, dinheiro e tempo de qualidade com a família?

Nesse artigo, o Ricardo Fadini, mostra a sua busca em conseguir essa integração. Em como ele fez escolhas, em certos momentos de sua vida, com objetivo de ser um pai cada vez mais “por inteiro”.

Felizmente, temos visto cada vez mais pais que estão preocupados em ser PAI. E não apenas o pai provedor. (Paizinho vírgula, Pai é pop)

Isso nos obriga a mudar o nosso comportamento e atitude. E, depois, precisamos ser pai e mãe o tempo todo. Ser advogado (médico, professor,…) o tempo todo.

Você é você o tempo todo!

A maior parte das pessoas no mundo do trabalho executivo está cuidando do urgente e não do importante.

O grande empresário brasileiro Carlos Wizard nos relata em um de seus livros uma passagem muito interessante.

Em sua casa, era um motorista que levava e buscava seus filhos para a escola. Em um determinado momento, ele percebeu que as crianças sabiam mais da vida, dos ensinamentos e do dia a dia do motorista do que das coisas do próprio pai.

Então ele identificou que as idas e vindas da escola eram uma ótima oportunidade para passar um tempo de qualidade com os seus filhos. E passou ele mesmo a levar aos filhos à escola.

Ou seja, o que o Carlos Wizard percebeu é que, naquele momento, o mais importante era a educação integral dos seus filhos.

Concordo com ele, a meu ver é inconcebível a terceirização da educação de nossos filhos.

O ensino de algumas disciplinas (matemática, inglês, português, …) ou habilidades (natação, corrida) pode ser terceirizado.

Mas, e a educação do caráter? Acredito ser bem mais complicado. E temos que encontrar tempo para realizar a educação integral de nossos filhos.

E para alcançar esse objetivo não existe uma regra única. Muito menos um manual para nos mostrar o caminho certo. Por exemplo: basta você jantar todos os dias com seus filhos que você estará dando a melhor educação possível.

Também não acredito na velha máxima: “o que importa é qualidade e não a quantidade.”

Para mim o que importa é a qualidade e a quantidade.

Tempo juntos demais sem qualidade realmente é tempo jogado fora. Mas, a partir do momento que nos tornamos pais, temos que dar a devida importância à educação de nossos filhos. E isso requer tempo, esforço, dedicação e muito mais.

Então, qual é a tua obra?

Por mais que queiramos ensinar aos nossos filhos como lidar com o dinheiro ou como alcançar a liberdade financeira o quanto antes em suas vidas, o mais importante é mostrar a eles que essa é apenas uma entre tantas habilidades que eles terão que adquirir ao longo da vida.

Porque o grande desafio é nos transformar, ou melhor, nos autotransformar continuamente.

O ouro que você procura é o aprendizado e o ganho de habilidades, não um grande salário – Robert Greene

E, acredito que a nossa principal obra, em relação a educação dos nossos filhos e filhas, é dar-lhes autonomia financeira, intelectual e emocional para que superem quaisquer obstáculos durante suas vidas.

01 grande abraço,
Fabiano Hilário

Imagens: créditos Freepick.

1 comentário


  1. Excelente, objetivo e claro! Tem que ser divulgado. Noto seu crescimento como pai e como pessoa. Grata por existir na minha vida.

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